Oficina de Construção de Personagens

Não vamos discutir aqui a importância do RPG como ferramenta pedagógica, até porque isso já foi feito (clique aqui). Nem vamos apresentar uma proposta para tal atividade, até porque já foi feito (clique aqui). Hoje venho falar sobre resultados.

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E falando em resultados, o projeto que é desenvolvido na rede pública de ensino do município de Natal iniciou o ano de 2016 com uma oficina de construção de personagens para turmas dos 5º anos. Desde as primeiras experiências com RPG em sala de aula, uma das grandes dificuldades foi encontrar um sistema simples que permitisse a rápida compreensão, que pudesse ser utilizado em apenas uma hora e com uma construção de fichas de forma muito rápida. Foi nesse contexto que foi desenvolvido o RPG Medievo (clique aqui), sistema de regras para RPG desenvolvido com auxílio dos alunos do 5º ano da Escola Municipal Maria Dalva Gomes Bezerra, na Zona Norte de Natal/RN.

Mas voltemos à oficina. A mesma foi desenvolvida com o intuito de construir personagens utilizando o sistema proposto. Na proposição do projeto para 2016, a ideia é produzir um material suplementar para o Medievo, que trate da cultura indígena do RN no período referente ao “descobrimento” do Brasil, fazendo com que os alunos/as se coloquem na visão do indígena, no contexto histórico proposto.

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As turmas têm em torno de 25 a 30 alunos e nenhum deles teve o mínimo contato com o RPG até antes das oficinas. No início, foram explicados os conceitos básicos do RPG, foi feita a exposição de um vídeo didático e aberto o debate para esclarecimento das dúvidas. Logo após o debate, começamos o processo de construção das fichas. Para minha surpresa, o coletivo de crianças levou algo em torno de 27 a 30 minutos para concluir as fichas. O Medievo tinha atendido à sua primeira expectativa, pois era simples e autoexplicativo no critério construção de fichas. Detalhe: os discentes realizaram todas as escolhas sozinhos e visualizando as necessidades do grupo.

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Um outro ponto importante do projeto é a produção de material, construído em debate com os discentes, sobre a história local e a cultura indígena, mediante os conhecimentos dos mesmos. Essa produção é concluída ao final do ano letivo e apresentada à comunidade escolar.

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O projeto encontra-se em fase de consolidação e tem outro objetivo para 2016: construir uma biblioteca com acervo de sistemas de regras e cenários de RPG para o empréstimo e consulta dos discentes, incentivando a prática da narrativa e difundido o RPG como ferramenta pedagógica.

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Oficina de RPG em Mostra Cultural de Escola Pública em Natal/RN

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E aí pessoal! Vim relatar para vocês a Oficina de RPG que ocorreu no no último dia 26/09/2015, na Mostra Cultural da Escola Municipal Profa. Maria Dalva Gomes Bezerra, em Natal/RN. A atividade foi ministrada por mim e por Robson Carmo, ambos professores do Ensino Básico. A oficina ocorreu das 9h às 11h e teve a a participação efetiva de 12 crianças com idade entre 8 e 10 anos.

Os sistemas escolhidos pelos narradores foram o First Quest – AD&D, usado por mim e o Old Dragon, utilizado por Robson Carmo. As crianças adentraram no mundo do fantástico e se integraram à narrativa.

No First Quest, participaram de uma aventura clássica e exploraram a Tumba de Demara, o que me deu uma nostalgia maravilhosa, pois foi a primeira aventura que joguei, em 1995. Uma das alunas, de 9 anos, que interpretou o famoso ladrão Slinker, rapidamente criou um mote para o seu personagem: “Oi, eu sou uma ladina e sei abrir portas!

 

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Duas turmas participaram da Oficina de RPG

Em Old Dragon, o grupo foi levado a invadir uma mina e confrontar um escorpião gigante que estava aterrorizando os mineiros e acabando com a economia local de um vilarejo que vive da extração de minérios. Nesta mesa, um dos jogadores bradou ao ver a situação ficar complicada para o grupo no confronto contra a criatura: “Eu? Morrer para um bicho nojento igual a um escorpião? Nunca!

Os alunos/as desenvolveram sua narrativas e aliaram raciocínio lógico e aspectos do cotidiano familiar e escolar para resolver as situações às quais foram expostos.

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Os alunos e alunas se interessaram pelo AD&D…

Lembrando que a referida escola tem um projeto relacionado ao uso do RPG no processo de ensino e aprendizagem na educação básica. O projeto é desenvolvido desde 2013, por mim e Robson, com alunos do 4º  e 5º ano. Seu objetivo é aliar a narração interativa (a metodologia utilizada no RPG) com a vivência dos discentes, em situações que envolvam as disciplinas e estimulem os mesmo a trabalharem de forma lúdica, aprendizados referentes às atividades disciplinares.

 

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…e também pelo Old Dragon!

 

No próximo dia 18/10/2015, a oficina vai ser ministrada na FLIQ (Feira de Livro e Quadrinhos), nessa oportunidade a atividade terá um publico mais abrangente e um trabalho mais voltado para a apresentação do projeto e seus resultados, além de uma amostragem prática do uso da narração interativa e de seu uso em sala de aula, tendo como recurso o livro Medievo — um RPG com um sistema e cenário voltado para narrativas na Baixa Idade Média Européia.

 

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Raphael e Robson com seus materiais didáticos!

O Uso do RPG na Educação Básica Fundamental

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a atenção dos alunos é garantida

E aí pessoal, quero compartilhar com vocês um pouco da minha experiência com o uso do RPG em sala de aula com alunos do 4º e 5º ano do ensino fundamental em uma escola da rede municipal de Natal, onde atuo desde 2011.  Esse projeto é uma parceria minha com o Professor Robson Carmo, pedagogo e geógrafo (e antediluviano no cenário do RPG potiguar). Mas antes preciso fazer um breve histórico — isso se já não tiver feito antes em outro local nesse blog — sou professor desde 2007, com formação em Ciências da Religião e História. E jogador de RPG desde 1995, narrador desde 1998.

Novas tecnologias em educação é um tema muito recorrente, mas porque não se falar em novas metodologias em educação? A narrativa interativa — metodologia usada no RPG — se apresenta como um modelo que pode ser implementado em sala de aula, aliando-se às disciplinas de educação básica e se encaixando nelas de forma interdisciplinar, proporcionando um aprendizado lúdico para o discente.

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a experiência pedagógica usou o RPG Old Dragon

A ação desenvolvida é a utilização do RPG (e jogos de tabuleiro, ou boardgames) como ferramenta lúdica aliada ao processo de ensino-aprendizagem. A metodologia consiste em um processo onde os envolvidos participam da criação e desenvolvimento da história. Cada história/aventura é única; o narrador fornece o cenário e o pano de fundo e o mesmo é moldado pelos jogadores. O RPG não é necessariamente um jogo competitivo. Em muitas situações o resultado positivo da aventura dependerá da cooperação entre os membros do grupo e mesmo um resultado negativo — visto pelo olhar pedagógico — ainda gerará resultados positivos.

Como jogador/narrador de RPG e principalmente um entusiasta, sempre observei os projetos que ocorrem pelo Brasil afora com muito carinho. Ao ingressar na docência, comecei a pensar na ideia e formular algumas questões. Minha primeira experiência em utilizar a narração interativa (RPG), em sala de aula, foi com a disciplina História do Rio Grande do Norte (em outro momento relatarei essa experiência). A segunda experiência foi um pouco mais desafiadora por ter como público-alvo crianças das séries iniciais (4º e 5º ano do fundamental), com idade entre 10 e 12 anos.
Os encontros iniciaram-se em maio de 2014, com discentes do 4º ano e acompanhando os mesmo no 5º ano em 2015. O grupo acabou se consolidando após os processos de seleção (natural, principalmente), em um grupo com base de muitas meninas. Elas se interessaram mais que os meninos e se empolgam bem mais nas sessões: fazem planos, consultam livros e vão à procura de referências.

professor Robson Carmo usando o RPG First Quest

professor Robson Carmo usando o First Quest

Nos primeiros encontros foram trabalhados mais as questões teóricas, tipo: O que é RPG? Qual é a história do RPG? Como se joga RPG? Quais os sistemas de regras de RPG? E as possibilidades de crônicas e campanhas. Após esse período teórico e a apresentação de alguns sistemas, os jogadores decidiram pela temática de fantasia medieval, influenciados pelo desenho Caverna do Dragão, que até hoje atinge gerações de jogadores. Os sistemas usados foram o AD&D: First Quest e o Old Dragon.

Com a escolha do sistema e a compreensão das noções básicas do RPG, partimos para o processo prático. No início, eles demoraram um pouco a se familiarizar com a questão interpretativa (na verdade, ainda estão assimilando, pois muitos têm vergonha de interpretar na frente dos colegas), mas no que diz respeito aos recursos a serem utilizados e à observação dos mesmos nas fichas, foi uma total surpresa ver as meninas anotando todas as especificações de suas qualidades e realizando o raciocínio lógico para aplicar nas situações em jogo. É nesse processo que o discente alia as outras disciplinas nas sessões, quando se utilizam cálculos matemáticos, linguagem corporal e elementos de língua portuguesa, geografia, história, ciências e afins.