Spin-Off: Lugar Nenhum

Olá,

 

Durante o ano de 2013, um amigo meu, o Vlad, veio me encomendar um cenário para um RPG de fórum que ele pretendia abrir. Como eu estava com tempo livre na época, eu decidi aceitar. Ao longo do restante do ano, o projeto sofreu inúmeras alterações, principalmente com minha saída de consultor e autor do cenário para membro da staff e a entrada da Pandy e da Saara no staff, tornando-se o que vim a chamar de Lugar Nenhum, em homenagem e referência ao livro do Neil Gaiman, autor do qual eu sou muito fã como perceberão futuramente. Em 2014 fizemos o playteste com o material criado em um fórum secreto, com jogadores convidados pelos membros do staff. A idéia era realizar o playteste para ver as coerências e incoerências do sistema, do cenário e do estilo de administração de fórum que ia ser adotado, para abrir posteriormente, com uma política de atualizações inserindo novas mecânicas e novos elementos de cenários de tempos em tempos como ocorre nos jogos eletrônicos. Infelizmente a Adultessência veio cobrar seu preço e o projeto acabou sendo engavetado com planos de futuramente tornar-se um módulo básico de RPG em pdf disponibilizado gratuitamente na internet.

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O Mundo de Malastare

Revirando a caixa de escritos para RPG do passado, encontro este texto que escrevi em meados de 2003, com forte influência judaico-cristã, sobre um mundo que criei, e utilizei em minhas campanhas em Dungeons & Dragons 3ª Edição. Eram outras épocas e achei melhor não mudar o espirito do texto e manter a ideia de quando foi escrito na década passada. Mas hoje, com mais experiência e leitura do que a adolescência, eu penso em retomar o projeto — embora deseje deixar como está, pois ler esse texto traz uma boa sensação de nostalgia.

O Mundo de Malastare

Ilustração: Marcos Guerra

Mito de Criação de Malastare

No início tudo era uma imensa vastidão vazia e com trevas.

E no imenso vazio de trevas habitava Anu, uma imensa serpente primordial que era macho e fêmea ao mesmo tempo. E essa serpente, após anos de vivência sob as trevas, se dividiu em três partes: En-lil, os céus; En-kir, os mundos inferiores e Eanna, a terra; produz o universo, os mares, os montes, os rios e depois uni-se aos céus e gera o seu filho, Seto, o espírito do fogo.  E o fogo lançou luz sobre o planeta e assim se fez, luz ao dia e a escuridão à noite e tenham luzes ao céu, para fazer a separação entre dia e noite e sejam eles sinais para as estações, dias e anos. Assim surgiram dois grandes luzeiros; o maior para dominar o dia, e o menor para dominar a noite e também fez outros pequenos luzeiros para iluminarem a noite. Assim nascia Malastare, que era ao mesmo tempo a terra onde viveriam os seres que viriam posteriormente e o grande Deus Anu.

E o espírito do fogo criou os espíritos regentes de Malastare; Erakris, o espírito da terra; Nemk, o espírito dos ventos, que afastou as trevas de Malastare; Atíris, o espírito da água; e Hedra, espírito da vida. Após criar os espíritos regentes, Seto decidira criar os seres viventes, aqueles que deveriam habitar o belo mundo que Anu criou. Mas o primeiro ser vivente de Malastare nasceu do amor de Erakris e Hedra; Inana, a Elfa, o primeiro ser gerado para viver em Malastare, aquela que deveria desfrutar da criação de Anu; Inana era bela, a mais bela de todas que viriam a nascer, ela era graciosa e humilde, adorava a liberdade, as coisas belas da natureza e os sentimentos nobres; ela era o equilíbrio entre o bem e o mal. Assim, a mando de Seto, Erakris fez brotar a grande árvore de Yudin, e dos galhos da árvore-mãe nasceram os primeiros Elfos.

Mas após algumas eras imortais, alguns Elfos se mostraram egoístas e ambiciosos, em particular um deles, Écran. Ele começou a demonstrar sentimentos egoístas e reprovativos por parte dos espíritos e questionava a autoridade de Inana perante os elfos. Então ele começou a elaborar um plano para destronar a rainha e assumir seu lugar, mas os espíritos não permitiram e Seto teve que intervir pela segurança da rainha. Então Seto condenou Écran a viver nas profundezas do mundo inferior, como guardião dos portões dos doze infernos, para onde iriam todos que atentassem contra a ordem e a moral. Hedra não ignorou os seus filhos, e tentou varias vezes recorrer a Seto sobre sua decisão, mas seus apelos sempre foram ignorados. Tomada pela fúria, Hedra corrompeu os Elfos fiéis a Écran e os colocou contra os espíritos. E com o passar dos tempos esses Elfos foram perdendo a beleza e a arte da criação dos espíritos e aos poucos se tornaram em criaturas horrendas, que só tinham ódio no coração — aos qual Hedra chamou de Orcs. Tais criaturas se reproduziam rapidamente e se espalharam pelo grande continente. Os espíritos observaram a conduta amoral de Hedra e decidiram tomar uma medida contra o mal que crescia em seu mundo. Então Seto, a assassina, partindo seu corpo em dois pedaços, declara todo o mal destruído, mas Erakris, ao ver sua amada morta, decide ressuscitá-la e enviá-la ao mundo inferior para que ela possa viver sua pós-vida longe de Seto, pois nenhum dos espíritos pode descer ao mundo inferior. Ao chegar ao mundo inferior, Hedra teve seus poderes de vida transformados em dons da morte, então ela cede parte dos seus poderes a Écran e o transforma em senhor dos mundos inferiores e assim ela passou a ser o espírito dos mundos inferiores, local de onde ela jamais poderá sair e encontrar seu amado. A partir dos últimos fatos, Seto designou Nemk como guardião da entrada terrena do mundo inferior, que se localiza na ilha de Amonrray.

Assim, os espíritos regentes decidem criar novos seres viventes para a terra. O espírito do fogo disse “façamos o homem, para que ele desfrute das belezas e riquezas”. Então Seto ordena que cada espírito crie os seres competentes ao seu elemento e mais uma raça que deva viver em harmonia com os Elfos, mas que esses sejam imperfeitos, pois a perfeição de Anu só foi cedida aos Elfos e que essas novos seres respeitem a Inana, como rainha única de Malastare. Então Atíris criou os seres aquáticos que habitariam os lagos, rios e oceanos; Seto criou os homens, criaturas com pouca expectativa de vida mais com uma extraordinária coragem, que muitos acreditam ser herança de Seto e que será determinante em grandes momentos históricos de Malastare; Erakris criou os anões, seres com grande resistência e com um dom incomum para as artes com metais e gemas preciosas e lhe deu as montanhas como lar e também criou os pequenos e grandes animais terrestres; Nemk criou as aves e os homens do sul, que eram diferentes dos homens criados por Seto apenas por sua ampla sabedoria; Seto da chama da liberdade criou os filhos de Seto, os Eridus, que preparariam os homens que deveriam viver longe da ambição dos antigos. os Eridus guiaram e protegeram os homens até a formação das primeiras sociedades humanas, e após isto, os Eridus jamais foram vistos novamente. Muitos acreditam que eles terminaram sua tarefa e retornaram a Seto.

É nesse mito cosmogônico — que tem algo de incomum, pois é aceito por todas as civilizações, de Elfos a Orcs — que se inicia a história de Malastare.