A morte da imaginação

— Imagine um monte de terra coberta com grama verde e brilhante…

— Como é isso, professor?

Fiquei pensando, “como uma pessoa não consegue imaginar algo tão simples?” Será que minha descrição tinha sido tão pobre ou tão mal articulada que impediu a concreta visualização da imagem por parte do receptor? Acredito que esse momento tenha sido o gatilho para que eu percebesse algumas situações que ocorrem recentemente com as novas gerações de jogadores e, quiçá, de leitores.

Jogadores de gerações mais recentes (década de 1990 e 2000) têm respostas a descrições curtas mais exigentes que jogadores mais novos e mais recentes; a ausência do estimulo sensório parece forçar os mesmo a buscar mais informações precisas. Ao descrever uma flor de forma visual, eles em geral, procuram por mais informações que possam compensar a ausência da presença real do objeto.

redomaPratoAzul-295x350Tal característica encontra-se ausente nos novos jogadores, e se eu descrevo uma rosa coberta por uma campânula (faça a experiência, espere um pouco para ver a imagem de uma) dificilmente ele vai perguntar o que é isso ou vai separar os dois objetos que compõem a imagem.

Mas apresentar o problema sem apresentar as causas também não e muito inteligente; tenho uma teoria sobre essa deficiência da nova geração: Sobrecarga de Estímulos.

As pessoas pertencentes a nova geração são expostas todos os dias a uma luxuriante variedade de estímulos, seja através de jogos, seja através de programas de TV mais e mais caprichados ou propagandas elaboradas que visam despertar o interesse sem se preocupar em associar à vontade.

Já viram como alguns jogos e anúncios tem a frase “você precisa…” embutidos de forma quase imperceptível? Associe isso a uma rápida sucessão de imagens em movimento e teremos um falso desejo de querer.

Alguém pode falar que a teoria das mensagens subliminares deixou de ser válida há algum tempo, mas o que quero mostrar que o condicionamento defendido por Skinner ainda é muito válido é que o desgaste dessa exposição vem minando a imaginação das novas gerações.

Você já deve ter ouvido alguém falar “prefiro ver o filme” ora, o filme é a visão de uma pessoa e mesmo escritores, por vezes, discordam de uma obra que originalmente veio de seu livro. E alguns diretores abusam do estímulo visual em prol da comercialização de um filme.

Estes são só alguns fatores que contribuem para que haja uma sensível redução na capacidade de produzir uma imagem mental a partir das descrições possíveis, o amortecimento do cérebro pela Sobrecarga de Informações.

Já dizia Sherlock Holmes: “O cérebro não é um quartinho de paredes elásticas onde tudo o que colocamos cabe…” Piaget chama essa propriedade de assimilação e acomodação; quando temos um conhecimento novo, ele é comparado com os antigos, buscando similaridades. Adaptamos as partes que já temos desse conhecimento e adquirimos o que ainda não temos.

Voltando a linha principal deste texto, vemos que fica difícil criar um novo perfil de análise quando nosso cérebro já possui muitos parâmetros de comparação, fica difícil imaginar.

Devemos, pois, criar o hábito da leitura para manter nossa imaginação viva e afiada, mantendo nossos esquemas cognitivos incompletos, permitindo que os mesmos sejam preenchidos e reclassificados ao longo de nossa experiência de vida.

Como comprar livros antigos

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Uma das coisas que me chamou a atenção recentemente foi o preço absurdo que pediram em um livro comum e relativamente novo. Soma-se a  isso o fato de que havia comprado um livro aquém das expectativas pelo preço da cotação de mercado e não fiquei feliz, pois o mesmo veio assinado pelo antigo dono.  Resolvi então fazer um texto para ajudar outras pessoas a não cometerem o mesmo erro que eu. São algumas dicas simples que qualquer um pode fazer e que pode garantir lucro e satisfação a todos os envolvidos. Vamos lá:

Lei da oferta e demanda

Essa é a primeira e mais importante dica: o quanto o livro que você quer é raro e qual a dificuldade em encontrá-lo em sua região. Alguns livros tiveram uma ampla distribuição em certas regiões e outras não, mas isso não o torna raro em amplo aspecto, apenas regionalmente; antes de colocar a mão no bolso, procure verificar a distribuição do livro que quer; você pode consegui-lo em outra cidade e tê-lo bem mais barato do que se comprasse a um local.

Primeiro Dono

Outra coisa a se observar em um livro de segunda mão e o que chamamos de primeiro dono. Colecionadores compram os livros para lê-los e admirá-los e nada mais cruel do que pegarmos um livro e ver o nome de outra pessoa lá. Basta dizer que para um colecionador, um livro assinado pelo seu antigo dono só vale metade do valor pedido, independente de sua raridade.

Livro Autografado

Assinatura? Só do autor!

Assinatura? Só do autor!

Se você pretende ter um livro autografado, peça que o autógrafo seja neutro; isso simplesmente agrega valor ao livro e em alguns casos o autógrafo se torna mais caro que a própria obra, segundo o Guia dos Curiosos. O dono da rubrica mais valiosa da história é William Shakespeare. Isso porque só existem seis exemplares autênticos de sua assinatura ainda preservados. Toda essa raridade sai caro: o preço estimado de um pedaço de papel autografado por Shakespeare é de 2,5 milhões de libras (quase 8 milhões de reais!). Mas caso o autor dedique o livro você, simplesmente vai ter que esperar que a obra valorize ou que seu autor se destaque como Van Gogh ou Rembrandt. É, cá para nós, as chances são poucas em se tratando de certos livros.

Folhas amareladas, marcas do tempo

Alguns livros foram fabricados com folhas tratadas com produtos químicos que oxidam com o tempo, deixando as folhas com a temível cor amarela. Isso é um indicador de idade — se o livro ficou muito tempo exposto ao tempo, suas folhas vão amarelar de forma uniforme, dando-lhe indicação de tempo de exposição e dependendo do livro, isso pode aumentar ou reduzir seu preço. Algumas pessoas mal-intencionadas procuram envelhecer livros para aumentar seu valor; desconfie se o livro não possuir um envelhecimento uniforme.

Aparência externa

Taí uma coisa que pode não parecer muito importante em alguns casos, mas aqui é de suma importância: antes de dar um lance no livro, verifique sua capa, se as cores estão firmes e constantes, se o livro possui as bordas sem danos ou mesmo pequenos estragos, como marcas de manuseio ou escrita por cima do mesmo. Pela aparência externa é possível fazer uma redução ou avaliação do valor do livro. Por exemplo: bordas danificadas ou rasgadas reduzem o valor do livro em 5% para cada dano e mesmo que o livro seja extremamente raro, seu valor pode cair para zero se a capa estiver muito danificada.

Volume

Cuidado com os detalhes!

Cuidado com os detalhes!

Para fazer a restauração de livros, alguns livreiros mais “expertos” canibalizam volumes irmãos que tenham sofrido dano. Essas restaurações são quase perfeitas, mas geram um cadáver com algumas folhas faltando e alguns desonestos vendem esses livros como “um pouco danificados”, principalmente em vendas pela internet onde temos que confiar em fotos, mas a dica aqui é observar se existe uma pequena diferença entre o volume da lombada e a abertura; o volume deve ser maior na abertura e não na lombada.

Outro exemplo é quando o “cadáver” e preenchido com xerox das folhas originais: o volume fica quase o mesmo, sua variação é quase imperceptível, mas as laterais do livro ficam com extratos causados pela coloração diferente das paginas. Mais uma coisa: esses “cadáveres” não têm valor comercial.

Cópia do original: Xerox. Fotocópia

Aqui não tem o que discutir, xerox não se negocia, fim de papo.

Bom gente, essas são só algumas dicas que sigo quando vou efetuar compras de livros antigos, mas tem uma que não me envergonho de dizer: antes de sair procurando pela internet seu livro favorito, dê uma visitada no sebo de seu bairro ou sua cidade, você pode encontrar muitas preciosidades lá e muito material de troca que pode baratear — ou mesmo lhe dar de graça — aquele livro tão desejado.

Espero ter ajudado.