Traps

trapToda vez que estou preparando uma aventura, eu fico pensando em três coisas:

  1. Desafio
  2. História
  3. Ambiente

Se você notar, parece que eu sigo uma escala, mas não e bem assim. Como eu tenho a doença do escritor, tenho o costume de começar a montar a historia do macro para o micro, ou seja, do ambiente para o desafio pessoal. Recentemente notei que tinha um costume mais impregnado ainda: eu uso o ambiente como um desafio macro com os meus personagens.

Antes de explicar, gostaria de citar uma de minhas fontes — há muito tempo atrás, havia um jogo para Playstation One chamado Deception, onde você era um trapper (acho que é essa a pronúncia) e dispunha de um arsenal pequeno no início, mas monstruoso no final, de armadilhas estáticas (é isso mesmo, você colocava a armadilha e ela ficava lá esperando o pobre coitado que ia cair) e ainda tinha mais um agravante: você era a isca.

Durante o jogo, você ia aprendendo a montar as armadilhas e se posicionar para conseguir o maior quantidade de dano possível no oponente. Com isso, eu sempre estudei o ambiente e em como eu poderia usá-lo como elemento desafiador para melhorar uma aventura como um todo. Recentemente, montei uma aventura onde o desafio final foi uma casa velha — e tudo surgiu de um problema elétrico aqui em casa — onde o que tinha de sobrenatural na aventura era menos de 10%. Depois disso ficou a ideia de dar umas dicas sobre como montar esse tipo de aventura.

Eu costumo dividir os desafios de ambiente em níveis:

Traps Macro de Ambiente

Climas extremos são o tipo mais comum de armadilhas de ambiente; tempestades, granizo e enxurradas são elementos que podem reduzir o ritmo de uma aventura, mudar sua direção,  introduzir plots aleatórios e até mesmo eliminar elementos que não sejam essenciais à aventura — meus tipos favoritos nesse nível são a tempestade elétrica (causa um dano absurdo de maneira aleatória) e as nevascas (além de reduzir a velocidade do grupo, também fornece cobertura para desafios).

Traps Mid de Ambiente

Nesse modelo temos as enchentes, desabamentos, avalanches e desmoronamentos. Esse tipo de armadilha de ambiente é bom para dar uma amaciada em certos personagens e conduzir a aventura pelo caminho certo — mas atenção, use esse tipo de armadilha com cuidado, ou os jogadores irão notar que você está sutilmente direcionando a ação para um ponto especifico e podem acabar perdendo o gosto pela historia.

Traps Micro de Ambiente

Pode parecer estranho, mas esse e o tipo mais difícil de armadilha de ambiente para se usar. Você precisa conhecer bem o cenário para que ela funcione e fique verossímil. Dizer aos personagens que há uma velha ponte de cordas atravessando o abismo é uma dica certa de que pode haver uma armadilha ali; dizer que a encosta da montanha apresenta pequenos sinais de deslizamento é muito mais sutil e tenso que o exemplo anterior.

Nos meus três tipos de armadilhas de ambiente, sempre procuro deixar as pontas bem amarradas. Em minha última aventura, fiz o personagem de um jogador se ferir com um prego enferrujado e o deixei cuidar do ferimento com uma simples faixa de pano (faça o teste e veja o que acontece quando você anda por aí com esse tipo de curativo improvisado — dica: não faça no carpete de casa, sua mãe ou esposa não vai gostar do resultado). Durante toda a aventura, ele ficou escutando um som esquisito e no final, foi atacado por uma colônia de ratos furiosos e famintos (estilo Faces da Morte 3). Em relação ao ambiente, mesmo que seja um cenário moderno (com energia elétrica, medicina e medicamentos relativamente avançados), sempre vamos ter o problema dos resíduos (lutar sobre uma lagoa de decantação de fezes humanas é muito, muito perigoso).

Mesmo em ambientes futuristas, podemos sempre contar com o ambiente para gerar alguns bons desafios para os personagens, como empurrar as barras de grafite certas a tempo de resfriar o reator, que fica muito mais marcante se você tiver um inimigo à sua porta (Z Nation que o diga). Uma ótima fonte de informação sobre perigos ambientais é a escola, tanto nas aulas de Geografia como as de Historia. Fique atento às dicas que estão escondidas nos livros.

Bom, isso é tudo por hoje. Vejo vocês por aí — e cuidado com o gato…

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