O Lago das Lágrimas

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O Lago das lágrimas


Um pequeno vilarejo de pescadores, entre um lugar e outro, num tempo qualquer, esquecido por quase todas as divindades. Um homem, um refugiado, se aproxima com suas duas filhas, estão famintos. Há poucas pessoas na pequena vila, que não há mais do que dez casebres. As poucas pessoas a andar estão com expressões tristes e parecem estar mortas, com apenas os corpos animados. Ninguém muda a expressão ao ver os refugiados. O vilarejo fica às margens de um lago escuro, que tinha a fama de dar muitos peixes para aqueles que jogavam as suas redes. Com esses boatos, vieram os refugiados. O homem em vão tentou falar com os nativos, todos o olhavam com uma expressão de raiva. Mas alguém apontou-lhe um homem, que estava em um dos casebres mais distantes do lago, sentado a brincar com uma criança, seu filho. O sorriso do homem era largo ao encontrar o refugiado e suas filhas, e logo o ofereceu um emprego, um casebre à margem do lago e um barco. O homem imediatamente jogou o barco ao rio e foi pescar. Suas redes encheram de peixes e ele ficou feliz. Era uma bela noite de lua cheia quando adormeceram.

Ao amanhecer, procurou por suas filhas, elas tinham desaparecido, correu pela vila, a procura-las em vão, até que encontrou um velho, que o mesmo tinha ignorado no dia anterior, e o ancião com a voz rouca falou:

— Nas noites de lua cheia, o espirito do lago leva a criança mais próxima. E por isso que aquele homem oferece emprego na casa à margem do lago. Para que não levem seu filho.

— Todos vocês perderam seus filhos?

— Sim.

— Mas porque não fazem nada!

— Porque sempre que chega uma nova criança, temos esperança de reencontrar nossos filhos perdidos para o lago. Pois uma criança há tempos atrás voltou.

O homem chorou às margens do lago por vários dias e pensou em várias formas de reaver suas filhas. Fitou, navegou e mergulhou no lago em vão. E quando chegou o dia da próxima lua cheia, um casal de refugiados se aproximou do vilarejo. Ele correu, o mais rápido que pôde e esbaforido, falou:

— Vocês sabem pescar? Tem emprego de pescador, um barco, e uma casa à beira do lago.

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