O Uso do RPG na Educação Básica Fundamental

RPG_Educação (03)

a atenção dos alunos é garantida

E aí pessoal, quero compartilhar com vocês um pouco da minha experiência com o uso do RPG em sala de aula com alunos do 4º e 5º ano do ensino fundamental em uma escola da rede municipal de Natal, onde atuo desde 2011.  Esse projeto é uma parceria minha com o Professor Robson Carmo, pedagogo e geógrafo (e antediluviano no cenário do RPG potiguar). Mas antes preciso fazer um breve histórico — isso se já não tiver feito antes em outro local nesse blog — sou professor desde 2007, com formação em Ciências da Religião e História. E jogador de RPG desde 1995, narrador desde 1998.

Novas tecnologias em educação é um tema muito recorrente, mas porque não se falar em novas metodologias em educação? A narrativa interativa — metodologia usada no RPG — se apresenta como um modelo que pode ser implementado em sala de aula, aliando-se às disciplinas de educação básica e se encaixando nelas de forma interdisciplinar, proporcionando um aprendizado lúdico para o discente.

RPG_Educação (02)

a experiência pedagógica usou o RPG Old Dragon

A ação desenvolvida é a utilização do RPG (e jogos de tabuleiro, ou boardgames) como ferramenta lúdica aliada ao processo de ensino-aprendizagem. A metodologia consiste em um processo onde os envolvidos participam da criação e desenvolvimento da história. Cada história/aventura é única; o narrador fornece o cenário e o pano de fundo e o mesmo é moldado pelos jogadores. O RPG não é necessariamente um jogo competitivo. Em muitas situações o resultado positivo da aventura dependerá da cooperação entre os membros do grupo e mesmo um resultado negativo — visto pelo olhar pedagógico — ainda gerará resultados positivos.

Como jogador/narrador de RPG e principalmente um entusiasta, sempre observei os projetos que ocorrem pelo Brasil afora com muito carinho. Ao ingressar na docência, comecei a pensar na ideia e formular algumas questões. Minha primeira experiência em utilizar a narração interativa (RPG), em sala de aula, foi com a disciplina História do Rio Grande do Norte (em outro momento relatarei essa experiência). A segunda experiência foi um pouco mais desafiadora por ter como público-alvo crianças das séries iniciais (4º e 5º ano do fundamental), com idade entre 10 e 12 anos.
Os encontros iniciaram-se em maio de 2014, com discentes do 4º ano e acompanhando os mesmo no 5º ano em 2015. O grupo acabou se consolidando após os processos de seleção (natural, principalmente), em um grupo com base de muitas meninas. Elas se interessaram mais que os meninos e se empolgam bem mais nas sessões: fazem planos, consultam livros e vão à procura de referências.

professor Robson Carmo usando o RPG First Quest

professor Robson Carmo usando o First Quest

Nos primeiros encontros foram trabalhados mais as questões teóricas, tipo: O que é RPG? Qual é a história do RPG? Como se joga RPG? Quais os sistemas de regras de RPG? E as possibilidades de crônicas e campanhas. Após esse período teórico e a apresentação de alguns sistemas, os jogadores decidiram pela temática de fantasia medieval, influenciados pelo desenho Caverna do Dragão, que até hoje atinge gerações de jogadores. Os sistemas usados foram o AD&D: First Quest e o Old Dragon.

Com a escolha do sistema e a compreensão das noções básicas do RPG, partimos para o processo prático. No início, eles demoraram um pouco a se familiarizar com a questão interpretativa (na verdade, ainda estão assimilando, pois muitos têm vergonha de interpretar na frente dos colegas), mas no que diz respeito aos recursos a serem utilizados e à observação dos mesmos nas fichas, foi uma total surpresa ver as meninas anotando todas as especificações de suas qualidades e realizando o raciocínio lógico para aplicar nas situações em jogo. É nesse processo que o discente alia as outras disciplinas nas sessões, quando se utilizam cálculos matemáticos, linguagem corporal e elementos de língua portuguesa, geografia, história, ciências e afins.

Anúncios

4 comentários sobre “O Uso do RPG na Educação Básica Fundamental

  1. Conheci apenas uma iniciativa, de um colega de história, nesse sentido. Não me lembro qual era o tema em específico, mas ele tentou dividir a sala em “personagens”, de modo que um conjunto de alunos diria o curso de ação que ele tomaria. Pelo que ele me contou, os alunos não conseguiram entender o conceito do jogo. Mas talvez esse não tenha sido um bom formato e a interpretação individual seja um requisito fundamental, ao menos no início do processo.

    Curtir

  2. Pingback: Oficina de Construção de Personagens | Mundos Colidem

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s