35º Trampolim da Aventura IFRN

Capa_IFRN_35O evento Trampolim da Aventura IFRN, que reúne jogadores de boardgames e RPG para uma tarde de diversão, ocorre no último sábado de cada mês na IFRN Centro, que fica (para os desavisados) na Avenida Rio Branco, quase em frente à Central do Cidadão do Centro.

Fomos prestigiar a tarde de jogatina com uma sessão de RPG, mas acabamos atraídos para o divertido River Dragons, com uma mecânica fácil e desafiante, onde os jogadores têm que construir pontes para atravessar um Rio, sempre correndo vários riscos, inclusive da chegada de um dragão fluvial!

Enquanto isso, Tendsom Silva – o principal organizador do evento e um dos decanos de boardgames da cidade, mostrava a outro grupo como sobreviver às taxas pesadas aplicadas sobre os comerciantes pelo ambicioso Príncipe John, no Sheriff of Nottingham, onde os jogadores competem entre si e às vezes em conjunto, para conseguir comercializar seus produtos.

Você pode encontrar mais informações sobre o Trampolim da Aventura na sua página do Facebook, clicando aqui.

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Como comprar livros antigos

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Uma das coisas que me chamou a atenção recentemente foi o preço absurdo que pediram em um livro comum e relativamente novo. Soma-se a  isso o fato de que havia comprado um livro aquém das expectativas pelo preço da cotação de mercado e não fiquei feliz, pois o mesmo veio assinado pelo antigo dono.  Resolvi então fazer um texto para ajudar outras pessoas a não cometerem o mesmo erro que eu. São algumas dicas simples que qualquer um pode fazer e que pode garantir lucro e satisfação a todos os envolvidos. Vamos lá:

Lei da oferta e demanda

Essa é a primeira e mais importante dica: o quanto o livro que você quer é raro e qual a dificuldade em encontrá-lo em sua região. Alguns livros tiveram uma ampla distribuição em certas regiões e outras não, mas isso não o torna raro em amplo aspecto, apenas regionalmente; antes de colocar a mão no bolso, procure verificar a distribuição do livro que quer; você pode consegui-lo em outra cidade e tê-lo bem mais barato do que se comprasse a um local.

Primeiro Dono

Outra coisa a se observar em um livro de segunda mão e o que chamamos de primeiro dono. Colecionadores compram os livros para lê-los e admirá-los e nada mais cruel do que pegarmos um livro e ver o nome de outra pessoa lá. Basta dizer que para um colecionador, um livro assinado pelo seu antigo dono só vale metade do valor pedido, independente de sua raridade.

Livro Autografado

Assinatura? Só do autor!

Assinatura? Só do autor!

Se você pretende ter um livro autografado, peça que o autógrafo seja neutro; isso simplesmente agrega valor ao livro e em alguns casos o autógrafo se torna mais caro que a própria obra, segundo o Guia dos Curiosos. O dono da rubrica mais valiosa da história é William Shakespeare. Isso porque só existem seis exemplares autênticos de sua assinatura ainda preservados. Toda essa raridade sai caro: o preço estimado de um pedaço de papel autografado por Shakespeare é de 2,5 milhões de libras (quase 8 milhões de reais!). Mas caso o autor dedique o livro você, simplesmente vai ter que esperar que a obra valorize ou que seu autor se destaque como Van Gogh ou Rembrandt. É, cá para nós, as chances são poucas em se tratando de certos livros.

Folhas amareladas, marcas do tempo

Alguns livros foram fabricados com folhas tratadas com produtos químicos que oxidam com o tempo, deixando as folhas com a temível cor amarela. Isso é um indicador de idade — se o livro ficou muito tempo exposto ao tempo, suas folhas vão amarelar de forma uniforme, dando-lhe indicação de tempo de exposição e dependendo do livro, isso pode aumentar ou reduzir seu preço. Algumas pessoas mal-intencionadas procuram envelhecer livros para aumentar seu valor; desconfie se o livro não possuir um envelhecimento uniforme.

Aparência externa

Taí uma coisa que pode não parecer muito importante em alguns casos, mas aqui é de suma importância: antes de dar um lance no livro, verifique sua capa, se as cores estão firmes e constantes, se o livro possui as bordas sem danos ou mesmo pequenos estragos, como marcas de manuseio ou escrita por cima do mesmo. Pela aparência externa é possível fazer uma redução ou avaliação do valor do livro. Por exemplo: bordas danificadas ou rasgadas reduzem o valor do livro em 5% para cada dano e mesmo que o livro seja extremamente raro, seu valor pode cair para zero se a capa estiver muito danificada.

Volume

Cuidado com os detalhes!

Cuidado com os detalhes!

Para fazer a restauração de livros, alguns livreiros mais “expertos” canibalizam volumes irmãos que tenham sofrido dano. Essas restaurações são quase perfeitas, mas geram um cadáver com algumas folhas faltando e alguns desonestos vendem esses livros como “um pouco danificados”, principalmente em vendas pela internet onde temos que confiar em fotos, mas a dica aqui é observar se existe uma pequena diferença entre o volume da lombada e a abertura; o volume deve ser maior na abertura e não na lombada.

Outro exemplo é quando o “cadáver” e preenchido com xerox das folhas originais: o volume fica quase o mesmo, sua variação é quase imperceptível, mas as laterais do livro ficam com extratos causados pela coloração diferente das paginas. Mais uma coisa: esses “cadáveres” não têm valor comercial.

Cópia do original: Xerox. Fotocópia

Aqui não tem o que discutir, xerox não se negocia, fim de papo.

Bom gente, essas são só algumas dicas que sigo quando vou efetuar compras de livros antigos, mas tem uma que não me envergonho de dizer: antes de sair procurando pela internet seu livro favorito, dê uma visitada no sebo de seu bairro ou sua cidade, você pode encontrar muitas preciosidades lá e muito material de troca que pode baratear — ou mesmo lhe dar de graça — aquele livro tão desejado.

Espero ter ajudado.

Crônica de Nova Amsterdã: Capítulo I

Em meus pensamentos sobre RPG e meu trabalho, sempre me pego pensando na minha formação como cidadão. Nesses pensamentos, volto ao tempo de escola e me recordo o como é mínimo o estudo de história do RN, especialmente no meu tempo, na década de 1990. Hoje em dia tivemos muitos avanços, mas precisamos melhorar ainda mais.

O ingresso em História e suas teorias e áreas afins me fez despertar para a história local. E por que não narrar crônicas evidenciando a história do RN? Nessa ideia, em 2012, comecei uma campanha de Vampiro que se passava no período da dominação holandesa no RN. Não tentando repetir a história fielmente e nem modificá-la por completo, mas sim trabalhar atores indiretos — fictícios, claro — desse recorte histórico.

Três anos depois, eu decido revisitar a crônica de Nova Amsterdã e dar sequência a esse projeto, mas na ideia de continuidade, com novos atores, seguindo o rumo de um barco em andamento.

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Capítulo I – Barcos ao horizonte

1º de novembro de 1646

Por volta das duas horas da tarde, Francisco correu em direção à igreja de Nossa Senhora da Apresentação — menino de rua que vivia aos arredores da igreja e que era alimentado e recebia cobertas todas as noites do padre Santiago, que também cuidava do garoto, mandando-lhe tomar banho e cuidar dos seus bichos de pé; apesar de o menino viver fugindo da hora do banho.

Quinho, como gostava de ser chamado, ainda não tinha almoçado — o que deixava o padre muito preocupado, pois o mesmo já era raquítico e apresentava um grau acentuado de desnutrição. A cidade de Nova Amsterdã — como os holandeses passaram a chamar e que mais parecia uma vila, com no máximo quarenta casas — não dispunha de um médico. Apenas quando havia necessidade de algum fidalgo local, era enviado um médico da capitania de Pernambuco, a cada dois meses.

Ao se aproximar dos arredores da igreja, Quinho já vai gritando “Padre Santiagooo!” A igreja tinha passado a ser local de culto dos protestantes e ao padre foi dado o direito de ficar na vila, caso desejasse sanar as necessidades espirituais dos católicos locais. Santiago era um homem bom, temente a deus e ciente de suas responsabilidades com seus fiéis.

“Aí está você, Quinho, não acha que já passou da hora de tomar um banho e ir almoçar?”

“Depois, padre; veja isso, olhe o mar!”

A igreja desfrutava de uma localização privilegiada na vila e ao levantar a visão, Santiago contempla o mar e observa uma esquadra com treze navios se aproximado do castelo Keulen — que outrora fora chamado de Forte dos Reis Magos. Vivendo nos arredores da igreja, rapidamente vai até sua casa para procurar algo entre os seus pertences, que encontra após alguns segundos de busca. Ao retornar, descobre não apenas o menino Quinho, mas várias pessoas que se reuniam para saber o que era tamanha esquadra a se aproximar da vila. Santiago tinha nas mãos uma luneta — coisa rara na época e que poucos dispunham, a não ser que fossem homens do mar.

Rapidamente ele a abriu, mirou com o olho e apontou o instrumento para o mar. Quinho, ao seu lado, mal segurava sua curiosidade para dar uma espiada. Um homem próximo aos dois, conhecido como Pedroca, não parecendo ter mais que um metro e sessenta de altura, com a barba por fazer e sem camisa, perguntou ao padre o que eram os navios, enquanto repousava os cocos que carregava.

“São navios da Companhia das Índias Ocidentais,” respondeu Santiago. “Não há motivos para se preocupar.”

“E não há mesmo,” respondeu Pedroca, “pois irei às proximidades do cais” — bem humilde na época, mais parecendo um malocado de canoas — “para vender os meus cocos. Com tantos navios chegando, a tripulação deve ter sede.”

“E eu irei junto com o senhor!” Logo se adiantou Quinho, que saiu correndo antes que o padre pudesse falar algo.

Apesar dos holandeses serem de um país de maioria protestante, não impuseram empecilhos às práticas religiosas da população ao chegarem no Rio Grande — tanto os católicos, como os indígenas eram livres para realizar seus rituais, desde que a ocupação e convivência com os batavos fosse pacifica. E isso muito privilegiou os índios, que passaram a viver mais tranquilos, embora não estivessem livres de todos os problemas; o avanço das fazendas no sertão e a criação de gado fizeram desaparecer os espaços de caça e os índios passaram a caçar os bois das fazendas. Mesmo isso não chegou a tornar-se um problema, sendo resolvida a situação de forma amigável.

De início, os católicos, gostaram da ocupação holandesa, mas logo deixaram de apoia-la, devido à liberdade e os acordos feitos entre os batavos e os indígenas. Não existiam restrições às atividades do padre, desde que o mesmo não se metesse em assuntos da capitania; coisa difícil, pois o bispo responsável pela diocese raramente estava presente ou se comunicava com o padre. As poucas correspondências trocadas eram sobre o comportamento dos batavos. Os holandeses com os protestantes e indígenas, os portugueses com os católicos, ainda assim haviam informantes, o que eventualmente começou a irritar os batavos — que logo trataram de enviar um governante com mão de ferro para resolver os problemas da capitania.

Enquanto algumas pessoas se encaminhavam para as proximidades do cais, Santiago continuou a olhar os navios e notou algo que não vira antes. Que navio era aquele destoando dos demais, todo em madeira negra, sequer parecendo vir do mesmo estaleiro? “É muito diferente dos demais, será o navio do Barão?” Santiago ficara sabendo da chegada do Barão por intermédio do bispo, em sua última correspondência. Sentiu calafrios ao contemplar o navio, que ele julgava ser do tal Barão Van der Valen.

Algumas horas depois, quando se aproximava do pôr do sol, Inácio visitou o padre para ter notícias. Era fazendeiro e líder dos católicos portugueses. Santiago mostrou-lhe a esquadra que se aproximava e o barco que destacava-se dos demais.

“Mas o que é isso,” perguntou o fazendeiro.

“Provavelmente deve ser a chegada do tal Barão que seria mandado para governar a capitania.”

“Mas são necessários tantos barcos, padre?”

“Não sei, talvez seja por acaso; eles podem estar indo para outro local.”

“Não sei quais são as intenções desses batavos com esse governador vindo da Europa, mas que essa política de aliança com os índios deve ser revista, eles são bárbaros desculturados e sem religião, que andam nus, não trabalham e comem apenas do que a natureza dar.”

“Eles têm a sua forma de organização social, Inácio, que devemos respeitar. Apesar de não cultuarem o nosso deus, eles também são filhos dEle.”

“É por isso que a capitania não é respeitada! Nem o nosso padre tem poder com o povo, fica compartilhando da ideia batava de proteger os indígenas.”

“Não podemos reclamar dos holandeses, meu nobre fazendeiro, eles nos permitiram manter as nossas tradições e fazem a manutenção da paz na capitania — ou vai me dizer que os seus negócios não andam bem?”

“Meus negócios andam muito bem, mas mesmo assim tenho tido alguns prejuízos.”

“Não há do que reclamar.”

“Me escute bem, padre; quando esse Barão descer, eu mesmo vou conversar com ele sobre esses índios que se acham dono das terras! E se ele não der jeito, o diabo irá dar!”

“Cuidado com os seus desejos, Inácio; eles podem se realizar mais cedo do que você imagina.” As últimas palavras do padre saíram instintivamente, ele mesmo se assustou com o que disse, colocando a mão na boca como se segurasse mais palavras.

Inácio o olhou no momento das palavras proferidas, colocou o seu chapéu, despediu-se com um “Passar bem padre!” e regressou a passos rápidos regressou à sua fazenda, nas regiões as margens do rio — onde muito depois seriam as proximidades do bairro do Alecrim. Em seu caminho de volta pensava alto, “tenho que convencer esse Barão que a política de boa vizinhança com os indígenas só nos traz prejuízos; mas como farei isso? Espero que ele ainda não esteja totalmente a par da situação dos termos batavos com os índios… Tenho que ser rápido e convocar uma reunião com os fazendeiros, e aí sim, falar com o Barão!”

Caía o crepúsculo. O padre continuava no mesmo local, vislumbrando a esquadra que se aproxima sem nenhuma noção de tempo, sequer sabe que há horas está sentado, paralisado; como se aquele barco exercesse algum poder sobre o seu corpo. Apenas ao cair da noite, sem ver regressarem Quinho e Pedroca, que ele se levantou e deu início às suas visitas noturnas. Andando em direção ao centro da vila, ele se deu conta para quem seria o casarão construído às pressas pelos batavos e parou em frente ao mesmo, ainda encoberto na escuridão, pois ainda não tinha moradores.

Mas não seria a última vez que o padre Santiago estaria neste local, e nem a última que ele estaria escuro.

Já era por volta das vinte e três horas quando os barcos chegaram ao tímido cais. Pedroca e Quinho estavam desde o início da tarde esperando por essa ocasião, ambos próximos ao atraente barco negro, que o padre dissera supostamente pertencer ao Barão. Logo a música soou alta e forte, em uma língua incompreensível para os dois nativos da terra do Rio Grande. E com a música, homens e mulheres de roupas coloridas em tons pastéis, sem o mínimo arranjo de combinação, começaram a saltar do barco e a trabalhar incessantemente, como se tivessem passado toda a viagem dormindo.

“Gosta de trabalhar, garoto?” perguntou um dos primeiros homens a pular do barco.

“Dependendo de quanto vai me pagar, posso até gostar,” respondeu Quinho.

“Mas veja, tem um menino muito esperto aqui; mas não venha ser mais esperto do que eu, menino!” Pedroca já era um pouco mais vivido, e com um rápido esforço na memória, ele chegou à conclusão correta sobre tal homem.

“Ele é um cigano, Quinho,” murmurou para o menino, “e ciganos não são confiáveis.” O cigano se chamava Anton Valgram. Já iam se afastando lentamente quando o cigano falou: “ei! Para onde vão? Abra os cocos rapaz, estamos com sede e pagaremos em ouro!” Mas foi com receio que Pedroca abriu os cocos e serviu estes homens, temendo não ser pago pelo seu esforço. Os ciganos se deliciaram com os cocos e logo em seguida pagaram uma moeda de ouro a Pedroca, que nunca tivera visto ou tido tanto dinheiro. Esses homens trabalhavam rápido e logo após beberem dos cocos, começaram a trabalhar no transporte dos pertences do Barão.
As carroças com a mudança do Barão já estavam prontas. Eram por volta das três horas da madrugada e mesmo sendo Nova Amsterdã uma vila pacata de cidadãos quase todos religiosos e tementes a Deus, os ciganos subiram a colina que dava para o centro da cidade cantando em voz alta, o que acordou muitos moradores.

Durante o caminho, Pedroca perguntou a Quinho, “será que o tal Barão veio? Nós não vimos ele.”

“Ele veio sim, seu Pedroca, ele veio.”

“E como você sabe, garoto?”

“Porque ele falou comigo.”

“Como, se você não saiu do meu lado, e eu não vi você conversar com ele?”

E apontando para a sua cabeça, o menino olhou para o vendedor de cocos e disse “ele falou aqui; aqui ó!”

2 de novembro de 1646

Era uma noite quente na capitania do Rio Grande. Santiago agora morava com uma beata de nome Maria de Fátima, que o acolheu após ser expulso da igreja — a mesma se tornando domínio do Pastor Jacob. Um homem rústico que tratava Santiago e os católicos do vilarejo com desdém. Eram aproximadamente três horas da madrugada quando o vilarejo foi acordado com a cantoria dos ciganos que subiam a colina com as suas carroças enfeitadas, trazendo os pertences do Barão Van der Vallen. Santiago correu para a porta, abrindo a sua parte superior sem se preocupar com o que veria e o que aconteceria. Logo avista dois conhecidos.

“Quinho, Pedroca!” disse Santiago, achando que sussurrava, mas no silêncio da madrugada era quase um grito. “Venham aqui, por que a demora?”

“Padre, padre, o Pedroca vendeu todos os cocos aos ciganos! Não é isso Pedroca, não são ciganos?”

“Sim, são ciganos, moleque!” respondeu Pedroca. “Padre, eles pagaram com moeda de ouro!”

“Ora que bobagem, seu Pedroca, a prata já é custosa de se ver, imagine se os ciganos esbanjariam ouro!”

Nesse momento, o pobre vendedor de cocos abriu a mão e mesmo na fraca luz da madrugada, a solitária moeda brilhou. Santiago se limitou apenas a olhar seu emblema, guardando na memória para uma investigação posterior. Ele coloca Quinho para dentro de casa enquanto alguns populares despertavam para observar a movimentação dos ciganos.

“Tenha uma boa noite, seu Pedroca!”

“Uma boa noite para o senhor também padre!” disse o radiante vendedor de cocos que já tinha planos para a sua moeda de ouro. Ao fechar a porta, Santiago observa um animal sobrevoar a vila em direção ao rio. Era um pouco anormal seu tamanho para as espécies da fauna local — que era do conhecimento do padre — mas na hora não deu muita atenção, devido aos fatos ocorridos durante o longo dia.

Ao amanhecer, Santiago acorda de seu cochilo momentâneo e descobre por intermédio de Dona Fátima que o menino já havia partido. “Ele se levantou, lavou o rosto e partiu, Padre, só falava nos ciganos e que queria ganhar uma moeda de ouro como a do Pedroca!”

“Meu Deus, Dona Fátima, esse menino junto com aqueles ciganos, não sei o que fazer!”

“Padre, é verdade que os ciganos deram uma moeda de ouro para o Pedroca?” Santiago confirmou com um aceno de cabeça. “Uma vez me disseram que os ciganos são enviados do demônio para fazer serviços em seu nome, é verdade?”

“Não, não, não senhora; somos todos filhos de Deus e devemos nos respeitar, não há nada de demônio aqui, isso eu não permitirei!” Santiago tentava esconder também um pouco de seu preconceito, mas estas palavras deram-lhe um calafrio, apesar do calor e o verão que se avizinha. Após um rápido desjejum, Santiago partiu sem falar mais nada, à procura de José Maurício, um homem forte, ex-soldado da coroa portuguesa e que agora era responsável pela pequena força de proteção civil da capitania — o outro grande poder militar estava no Castelo Keulen, sob o domínio direto holandês e que constantemente recebia embarcações da Companhia das Índias Ocidentais.

Maurício tinha no máximo quinze homens ao seu dispor, espalhados pela capitania do Rio Grande, sendo que as suas forças se concentravam em resolver os problemas dos fazendeiros e não dos trabalhadores, o que tornava uma figura não muito benquista pela população, especialmente os indígenas. Santiago o encontra sentado sob a sombra de um cajueiro nas proximidades da igreja, de onde tinha uma boa visão do casarão recém-construído para o Barão e de toda a atividade dos ciganos.

“Bom dia, senhor José Maurício!” Quase hipnotizado pela observação dos ciganos, Maurício volta-se para Santiago, e após reconhecê-lo, se inclina e segura sua mão, que relutantemente a cede para ser beijada.

“Sua benção, padre?”

“Deus te abençoe, homem.”

Mudança de Hábito

Ou não. Na verdade, a mudança maior é o retorno deste blog à vida. Bom, pelo menos a ideia é essa.

Cansado de ficar sem escrever sozinho, convidei quatro amigos para ficarem sem escrever comigo no blog: Misael Salustiano, Nicholas Minora, Raphael Lima, e Robson Carmo. Não, pera — a proposta é escrevermos juntos, sobre as categorias gerais nerds deste blog, como RPG, boardgames, cinema, quadrinhos, animações, etc. Então, não se assuste se começar a ver posts de outros autores por aqui com frequência, volume e qualidade. Não são estranhos, não são amadores e não são, definitivamente, estranhos à casa.

Eles são de casa.

Sejam bem vindos, rapazes. Mãos na massa!