Thales e o Dragão que Cospe Fogo

Outro dia fizemos uma visita a um desses magazines para comprar coisas que – por algum motivo – são mais baratas por lá do que em supermercados. Da última que fomos fazer uma dessas sessões de compras, o meu filho “descobriu” um ursinho de pelúcia e um carrinho que ele tinha que levar. E levou.

E desta vez, claro, não poderia ser diferente. Estávamos preparados para um carrinho da linha Hot Wheels ou o bonequinho de um daqueles programas de TV que parece só serem feitos para vender estes malditos bonecos (tá, alguns são legais. Muito legais. Mas não vem ao caso). Como de hábito, eu tive que caçá-lo entre as prateleiras enquanto a mãe dele se virava sozinha com as compras, e o encontro com isso:

Foto: Thatiane Lira

Embora seja razoavelmente bem-feito (e com uma pintura interessante), o bicho é de borracha, e uma das asas é ligeiramente caída. Mas vá disser isso ao garoto. Não teve jeito, era o dragão e ponto final. Deixou os carrinhos que já tinha escolhido de lado, não quis levar chocolate, salgadinhos, nada. “Dragão”, bradava ele. Certo. Dragão.

Mal chegou em casa e já apresentou o bicho aos outros brinquedos, com cenas dignas de um cruzamento de Senhor dos Anéis, Ben 10 e Toy Story. O que teve de carrinho e bonequinho encaixado nas mandíbulas desse dracomorfo não foi brincadeira. Uma semana, duas depois, e a novidade passa, o dragão é apenas mais um dos brinquedos. Bom, está sempre entre os escolhidos, especialmente para levar ao banho, mas não é o único brinquedo da casa. Aí ele chega com uma atividade da escola:

“crie uma estória, e com a ajuda dos seus pais,

escreva a estória e faça uma ilustração para ela.”

Hmmm. Thales adora ouvir estórias, mas não costuma contar nenhuma (a menos que repetir as estórias que ouve conte como tal), a não ser quando precisa dizer como é que o celular de papai caiu sozinho da mesa. Sento com ele à mesa, explico a tarefa da maneira mais clara e atrativa possível e o garoto já começa com a resistência de praxe: “é muito difícil!” Insisto, e depois de alguns inícios falhos, decido usar o approach das vinte questões de RPG: se você não sabe tudo sobre um personagem, ou de sua estória, conte alguns detalhes isolados e vá juntando os fatos. Foi mais ou menos assim:

“Thales, qual o seu brinquedo favorito?”

“Dragão!”

“O Dragão é seu amigo?”

“É. A gente brinca.”

“Vocês brincam de quê?”

“De brigar, de esconde-esconde, de corrida…”

“De corrida, é? E quem ganhou a corrida?”

Eu ganhei.”

“E o dragão, gostou?”

“Não. Ele ficou cuspindo fogo.”

“E aí, o que ele fez?”

“Ele foi pra casa.”

“E você?”

“Eu fiquei brincando sozinho.”

“E o Dragão?”

“Ele ficou triste.”

“E você?”

“Eu fui na casa dele e disse, venha brincar na minha casa.”

“Foi?”

“Foi. Eu disse, venha brincar comigo, ainda podemos ser amigos.”

“E ele?”

“Ele foi brincar.”

“Ficaram felizes?”

“Felizes para sempre! E fim!”

Hehe. Encurtei os detalhes da estória, mas não mexi nos diálogos. O título, eu sugeri “Thales e o Dragão”, ao que ele emendou “Que Cospe Fogo”. Fez o desenho de um menino rindo com um dragão de presas gigantes ao lado. Não sei se fez sucesso na escola, mas foi a primeira estória que ele contou. Com algum “espremimento”, mas foi.

Um dragão.

Foto: Thatiane Lira

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6 comentários sobre “Thales e o Dragão que Cospe Fogo

  1. Oi cumpadre,
    eu adorei a estória. vou aproveitar para não cair na armadilha de não levá-lo a lojas e deixá-lo a vontade p escolher presentes, pois semana passada, em Mossoró, fiz a besteira de deixar minha sobrinha Hellen escolher e quase compro um caixa de pollY pocket, por R$ 120,00, mas após negociações, entre Bárbies de 25 e 50 reais, ela apareceu com um kit da Polly, por R$ 39,90. Comprei, mas ela já avisou que vai colocar a primeira opção na listinha do Natal, da qual pretendo escapar, já q não estou lá. Ofereci até uma Amiguinha na negociação. Gostaria de acrescentar que estou quase magoada por ele não ter incluído o Max Stell ( da madrinha) na estória, mas perdoo (brincadeira).
    Um abração
    Simone Noélia

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  2. Eu de novo.
    Esqueci de dizer que adorei o site e vou recomendar. E quanto a solução p a atividade do Thales me ajudou a raciocinar uma disciplina PEG Planejamento Estratégico Governamental, que estou pagando no momento e em certos momentoas temos que fazer deste jeito, só que como é a Distância, as pessoas geralmente não explicam de forma simples e nos mandam reler os textos.
    Simone Noélia

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  3. Nossa, fico feliz de ter ajudado com nossa singela fábula de jardim de infância (hehehe). Ah, o Max Steel provavelmente não entrou na estória por que à época, o Thales ainda não tinha recebido ele de presente da madrinha, senão provavelmente a estória seria BEM diferente!

    E tem uns textos acadêmicos que nem com explicação a gente entende…

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