Pensando no Futuro

Não é que eu tenha tempo sobrando nas mãos, mas existem, claro, intervalos ociosos na mente, seja durante o translado para o trabalho, nos intermináveis minutos de espera entre uma filmagem e outra ou ainda naqueles momentos durante a lavagem da louça, em que o tempo parece transformar-se diante dos seus olhos em uma entidade física. Não, eu não uso drogas há muito tempo, mas lavar louça é um negócio engraçado.

De qualquer maneira: eu tenho umas campanhas para desovar que precisam de um mínimo de esforço de minha parte, e que provavelmente vão seguir as atuais, não sei se dos Sábados One More Time ou das Quintas Roleras. Mas vão.

RoboPunk: Voidwalker

Imagine um mundo onde a maior parte das promessas do futuro se cumpre, e a humanidade permanece livre de doenças, fome, pobreza e guerras em larga escala. Onde a tecnologia pode criar imortais e máquinas inteligentes o bastante para administrarem sozinhas todos os recursos da espécie humana. Onde a energia é um recurso infinito. Agora imagine que a humanidade permanece a mesma, com todos os seus medos, desejos, paixões, intolerância, inveja e diferenças.

O tom da ambientação segue as idéias de clássicos dos anos 50 e 60, como Isaac Asimov, Arthur C. Clarke e Poul Anderson, que postulavam um futuro “como hoje, só que melhor”. Adicionei a isso algumas idéias da FC atual, como pós-cyberpunk e umas pitadas de transhumanismo, só o bastante para dar sabor. O resultado foi uma pequena aventura fechada que mostra o sistema solar populado pela humanidade em busca de expansão, e de algo para testar sua capacidade de superar as barreiras que viajar nas profundezas espaciais sem poder viajar mais rápido que a luz.

O foco vai ser em um grupo de aventureiros jet-set, que mescla elementos tanto de heróis de ação como de celebridades.

Aventureiros dos Reinos Médios

Originalmente uma ambientação da Silver Branch Games para usar o sistema PDQ em um jogo de fantasia, o então Questers of the Middle Realms é uma série de piadas com clássicos fantasia e RPGs de fantasia, e às vezes nem isso. Minha opção, para ter menos trabalho, é pegar a ambientação e torná-la uma coisinha mais séria, adicionar algumas complicações no metaplot principal (que para ser sincero, não existe) e largar os jogadores onde bem entenderem.

Epa, epa, epa. Eu disse onde bem entenderem? Eu quis dizer dentro de um enredo fechado (embora com uma variedade razoável de opções) e levá-los pela mão para um passeio através dos Reinos Médios e largá-los no meio do caminho para ficarem à sua própria sorte.

Human X

Eu sempre quis fazer um jogo de supers baseado nos X-Men. Sempre. O problema era evitar alguns elementos manjados do cenário, as expectativas dos jogadores (“como assim, eu não posso ser o filho do Wolverine com a Jean Gray? Qual o problema de ter garras psíquicas de adamantium?”) e a interação com o resto do universo Marvel, que como no universo DC, tem herói por metro quadrado. Especialmente em Nova Iorque, onde simplesmente não é possível ir até a padaria sem avistar no caminho uma meia-dúzia de gente de capa.

A solução foi criar um universo de super-heróis normal, ou seja, mais parecido com o nosso, só que com  existência de mutantes e uma meia-dúzia de supers no mundo. Ou seja: Marvel Ultimate. Bom, mais ou menos. A tecnologia não é aquela coisa toda, mas é uma coisinha mais avançada que a que temos hoje, os bilhões de alienígenas que querem destruir ou conquistar a Terra (seja lá por que motivo for) ainda não deram as caras e os mutantes existem enquanto uma variante da humanidade, mas não são aquela coisa maluca de cada mutante ser praticamente uma espécie diferente. Existem “linhagens”, habilidades únicas e comuns a uma determinada combinação genética.

Enfim, aguardem.

Aeon Trinity

Esta ambientação da White Wolf sempre me pareceu legal, desde que eu tirasse aquelas baboseiras que faziam ela ficar parecida com todos os outros RPGs do Mundo das Trevas (como os psiônicos serem divididos em ordens sociais pelo seu tipo de poder) e mudar alguns erros crassos de pesquisa que os caras fizeram sobre a América do Sul, em especial o Brasil (adivinhem: nós falamos espanhol). Fora isso, tem um monte de idéias legais de FC, com super-psiônicos lutando pela humanidade contra outros seres humanos, alienígenas agressivos e mega-corporações – não necessariamente nesta ordem.

O que eu gosto na ambientação? É um transhumanismo limítrofe com toques de “sociedade do futuro” clássica pós-apocalíptica (existem áreas do planeta ainda se recuperando de uma catástrofe relacionada ao uso de habilidades super-humanas) com várias mudanças sociais, políticas e econômicas sendo perpetradas por institutos, sociedades e organizações civis, que começam a ter tanta (ou às vezes, mais) força política que alguns países. Naves espaciais cruzam o abismo profundo do espaço, mesmo sem os poderes de teleporte dos psiônicos. A biotecnologia permite armas, veículos, roupas e até moradias vivam, que regeneram-se, evoluem e às vezes, melhoram a performance de seu usuário, quando sincronizadas com ele. E tem os psiônicos, que são uma espécie de super-heróis com função social e mítica nesta ambientação, defendendo a humanidade de perigos externos (alienígenas malvados que querem comer os pobres humanos, em alguns casos, em vários sentidos diferentes juntos) e internos.

Fanhunter

Eu até já escrevi alguma coisa sobre este RPG espanhol de humor, que é derivado de um quadrinho (também espanhol) de mesmo. O sistema de jogo é tão absurdamente simples que eu o traduzi para o português em alguns momentos de ócio passados, muito embora eu provavelmente nem vá usá-lo (o tempora! o mores!). O importante é que é uma ambientação de humor, ação e escracho, onde os heróis principais são nerds lutando contra a opressão da chatice, conservadorismo e repressão castradora (às vezes literalmente) do poder. O que não há para se gostar nele? É engraçado, épico (ou épico-decadente, como ele mesmo se define) e os heróis são ícones mega-nerds, como John Konstantin, o homem mais perigoso da Terra (“sabe, metade do mundo civilizado me quer ver morto.” “E a outra metade, John?” “(dá uma tragada no cigarro) …mulheres.”) ou Killer Dog (“esse é o problema de ser do lado do mal: você sempre fica com os discursos mais ridículos.”), que é a cara do Snoopy, se Tarantino o tivesse convidado para filmar Cães de Aluguel.

Não sei se nenhum destes jogos irá algum dia ver a luz do dia, mas sempre é bom ter um hobby. Se bem que em teoria, o RPG seria um hobby. Mas parece que eu tenho um hobby para descansar do hobby. Enfim.

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