RPGs para se jogar antes de morrer (ou pelo menos até o final do ano)

Recentemente, o rudemangueboy e o Fernando Fenrir, em seus respectivos blogs (vejam os links, preguiçosos!) fizeram posts interessantíssimos sobre 10 RPGs que ele achavam indispensáveis (ou que valiam pelo menos uma sessão de teste) e que talvez (provavelmente) não fossem jogar antes de morrer, mas que certamente deveriam.

Então, aqui vai a minha lista (invejoso que sou):

Midnight: uma versão em D20 de o que aconteceria em O Senhor dos Anéis, se Sauron tivesse vencido? A ambientação é primorosa e detalhada, e até quem não curte o sistema vai se deliciar com os detalhes e reviravoltas da trama. Recomendado, e se um dia, meu grupo tiver coragem (leia-se testículos, mas isso não inclui as moças), eu mestro. Claro que não é uma adaptação rigorosa de O Senhor dos Anéis, antes uma versão livre, que nos lembra a obra tolkeniana. Mas está tudo lá, não tem como confundir. Nota para os terríveis elfos da neve e a caça aos praticantes de magia, além, é claro, da absoluta falta de clérigos (já que os deuses foram bloqueados de agir no mundo pelo malvado deus do mal). Vale nem que seja pelo cenário de absoluta desesperança e heroísmo sem escolha.

Usagi Yojimbo: baseada nos quadrinhos de Stan Sakai sobre um coelho guarda-costas em um japão feudal repleto de animais antropomórficos que é mais do que apenas uma biografia fantasiosa sobre a vida de Miyamoto Musashi, esta adaptação para Fuzion foi feita com muita simplicidade e eficácia. O problema é encontrar alguém que goste de aventuras samurai com bichinhos de cartoon. Apesar do visual, a série (e o RPG) é seríssimo, e dá verdadeiras aulas sobre a cultura e sociedade japonesa da época, embora não possa rivalizar, talvez (embora tente), com Lenda dos Cinco Anéis (veja mais abaixo).

Fanhunter: um RPG satírico (e muito bem-escrito – eu ria a cada parágrafo repleto de piadas e trocadilhos, mesmo com meu péssimo domínio do espanhol), verdadeira pérola dos anos 90, que ri não apenas da ficção científica, do RPG, dos quadrinhos e dos fãs de ficção científica, RPG e quadrinhos, mas também de si mesmo. Ele conta a estória de como um maluco – que se acha a reencarnação de Phillip K. Dick (autor de Blade Runner, entre outros clássicos da FC) -, resolve um dia explodir o Vaticano, declarar-se o novo papa e conquistar a Europa, proibindo todas as formas de apreciação das boas coisas da vida (quadrinhos, seriados, FC, videogames, navegar na internet, etc.), que são substituídas pela leitura e adoração das obras de Phillip K. Dick. Entra em cena a resistência, que são os leitores de quadrinhos e FC, blogueiros, jogadores de videogame e DJs que lutam contra os soldados clonados do novo papa: os Fanhunters.

A/State: este pequeno pesadelo dickensoniano (de Charles Dickens, um dos autores ingleses mais prolíficos da época da primeira revolução industrial – ou era vitoriana, como preferirem – escritor de Um Conto de Natal, David Copperfield e As Aventuras de Oliver Twist) mostra uma cidade (talvez a última do mundo), tentando sobreviver a uma catástrofe tão grande que seus habitantes não conseguem sequer falar dela, que dirá entendê-la. Oprimidos pela sombra das corporações e pela presença de criaturas que nem a ciência ou a magia consegue explicar, os personagens se esforçam para viver nesta distopia cyberpunk pós-vitoriana, com tecnologias anacronísticas (como pistolas de pólvora que usam um capacitor para gerar a faísca de disparo) e uma cidade ricamente descrita em todos os seus lúgubres detalhes.

Fading Suns: o que não há para se curtir neste RPG que combina os piores momentos da idade das trevas com um futuro tão distante que a própria humanidade não sabe quanto perdeu em termos de ciência e tecnologia, exceto pela existência de poderes psíquicos – cujos portadores são caçados como se fossem demônios. Junte a isso uma igreja opressora e onipresente, conflitos políticos, opressão sem limites e o fato simples e aterrador de que os sóis estão se apagando, um por um… Em termos de estilo, lembra muito os melhores momentos da Série Duna, de Frank Herbert.

Degenesis: eu sou fã confesso de RPGs apocalípticos, e nada mais apocalíptico que esta obra-prima, que infelizmente, ainda não foi traduzida do alemão original. Mas o pouco que o tradutor do Google e Yuri (com seu impecável domínio do alemão) me deixam entender, mostram o renascimento da humanidade 500 anos após o cataclisma gerado pelo encontro da Terra com um meteorito que exterminou nossa civilização, mas não nossa espécie. Mutações, sociedades inteiras lançadas à loucura, body-piercing transformado em uma forma ritual de arte. Olha, as ilustrações (fantásticas, por sinal) não são para os fracos de estômago, mas animam a dar uma olhada. E jogar, é claro!

Delta Green: eu sei que jogos baseados em Call of Cthullhu geralmente são máquinas de moer personagens, mas em Delta Green, você é uma agente governamental, soldado ou  superespião capaz de botar na cavidade retal da maioria dos cultistas de deuses de além do espaço-tempo e quem sabe até, de entidades menores, como aqueles horríveis homens-peixe e aquela galera do Planalto de Leng que se acham o máximo só por que têm entidades inomináveis de pesadelo ao seu lado (Shoggoths, conheçam napalm!). Isso não quer dizer que o clima não seja tenso – na verdade, um dos módulos para Delta Green, que descereve inúmeras organizações secretas da ambientação, o Countdown, é de dar arrepios só de ler.

Jovian Chronicles: quem nunca quis pilotar um mech repleto de armas no espaço e lutar contra outros mecha igualmente repletos de armas, no espaço? Essa é a proposta deste RPG, dos mesmos autores de Heavy Gear e Gear Krieg (que começaram como wargames e viraram RPGs). Ou seja, os caras sabem o que estão fazendo. Embora a campanha se passe apenas no sistema solar, mostrando os primeiros passos da humanidade antes de se espalhar pela galáxia (não há veículos mais rápidos que a luz), tem uma quantidade enorme de informações sobre os vários planetas, facções, equipamentos e mecha existentes, o bastante para anos e anos de campanha sem se afastar da órbita de Júpiter. Ah, e o sistema de jogo é simples e definitivamente combina bem com o combate entre robôs gigantes nas profundezas do espaço.

Underworld: um pequeno RPG que retrata as aventuras em um submundo que existe abaixo das ruas de Nova Iorque (onde mais?), onde em suas profundezas de metrô habitam monstros, robôs, deuses e heróis soturnos como uma estória de Neil Gaiman ou talvez, um filme de Terry Gillian. Mendigos viram profetas, becos trazem mais do que um assustadora escuridão e definitivamente, há crocodilos vivendo no esgoto. Gigantes. E eles planejam… O visual é meio esquisito, imitando a grafitti art dos becos de grandes metrópoles, mas o texto é agradável e descreve adequadamente a ambientação.

Legend of 5 Rings: talvez o melhor RPG de fantasia oriental, L5R é um dos mais conhecidos e bem-sucedidos RPGs baseados em Japão medieval que jamais existiu, com suas intrigas entre clãs, feiticeiros, samurais, ninjas e nobres que, de quebra, têm que lidar com um exército de demônios que infesta sua terra natal. Além de ser praticamente um curso em hábitos da sociedade japonesa feudal, ele é relativamente fácil de jogar e tem uma mecânica muito bem adaptada à ambientação.

E aí? Você também tem 10 RPGs que acha que deveria jogar antes de morrer?

Anúncios

5 comentários sobre “RPGs para se jogar antes de morrer (ou pelo menos até o final do ano)

  1. Petras, não acredito que você é um dos cinco leitores brasileiros de Usagi yojimbo!! Pensei que só eu havia lido isso aqui em Natal. Engraçado você nunca ter jogado Legend of five rings, pensei que voce iria dizer QIN em vez disso. Fanhunter é um achado, descobri esse jogo na epóca das revistas de RPG da Escala, quando fizeram uma matéria sobre Juego de Rol argentino. Humberto, um amigo meu doente por Mecha, elogiou esse jovian cronicles. Mas realmente, está é a primeira lista em que desconheço a grande maioria dos jogos. você deve ter problemas sérios…

    Curtir

  2. Bom, mais um para o meme que iniciei huahuahuahu

    Midnight eu quase colocava na minha lista, mas ele está mais fácil de conseguir do que os outros da lista. A/State achei fantástico! Vou procurar mais referências dele, e L5R eu joguei, achei interessante, e tem bastante gente jogando aqui em Natal (tanto no sistema próprio quanto no d20).

    Vamos esperar o próximo blog potiguar se ingressar no meme heheheh.

    Curtir

  3. Degenesis eu tive o prazer de jogar por um one shot que Yuri mestrou, simplismente fantastico!
    Fanhunter foi o que eu mais gostei daí (tirando Degenesis), parece ser muito legal, adoro quando misturam comédia no meio da desgraça! 😀

    Curtir

  4. Nossa, Usagi eu conheço desde tempos imemoriais, antes mesmo de saírem as edições brasileiras. Definitivamente um preferido. Pois é, Qin eu até conheço, mas só isso – L5R eu li de cabo a rabo e fiquei vidrado.

    E sim, claro, eu tenho problemas seríssimos. Basta ver a quantidade de tempo que dedico a este blog e seus assuntos…

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s